A Era Dusty May
O Dallas Mavericks começa um novo capítulo em sua história e o comandante escolhido para liderar essa transição atende pelo nome de Dusty May. Conhecido por seu trabalho revolucionário no basquete universitário — em especial a campanha histórica com Florida Atlantic (FAU) —, o novo treinador traz na bagagem uma filosofia que promete ser o encaixe perfeito para a profundidade e a versatilidade do atual elenco texano.
Mas, afinal, o que o torcedor do Mavs pode esperar ver em quadra? E como as estrelas e os novos talentos vão se encaixar nessa engrenagem? O Mavs Brasil destrinchou o playbook de Dusty May para entender como a equipe vai jogar.
Ritmo Frenético e o Fim da Dependência de um Único Armador
Se você estava acostumado com ataques lentos de meia-quadra o tempo todo, prepare-se para uma mudança de marcha. O sistema de May é fundamentado no Pace & Space (ritmo e espaçamento). A regra número um é correr. O time é encorajado a buscar bandejas em transição e arremessos de três pontos nos primeiros segundos da posse, atacando a defesa adversária antes que ela consiga se arrumar.
Para que isso funcione, May utiliza o conceito de "múltiplos criadores". Esqueça a ideia de que a bola precisa ser entregue obrigatoriamente para o armador principal após o rebote. Quem pega a bola, acelera. Isso será libertador para Kyrie Irving. Sem a obrigação de iniciar todas as jogadas mastigando a bola sob pressão, Kyrie poderá atuar muito mais sem a posse, saindo de bloqueios para arremessar ou guardando energia para ser o closer letal no mano a mano quando a jogada quebrar.
Além disso, armadores como Marcus Sasser, Max Christie e Jett Howard terão um prato cheio. No ataque de meia-quadra, que opera em um padrão 4-Out, 1-In (quatro jogadores abertos e um no garrafão), a movimentação constante de bola e os handoffs (entregas) vão gerar inúmeras oportunidades de kick-outs para que eles castiguem do perímetro.
O Fator Cooper Flagg e a Versatilidade das Asas
Se há um grupo que tem tudo para explodir sob o comando de Dusty May, é o de alas. E aqui os holofotes se voltam diretamente para Cooper Flagg. No sistema 4-Out, Flagg é o sonho de consumo de qualquer treinador moderno. Ele tem a capacidade atlética e a visão de jogo para ser um desses iniciadores secundários, pegando o rebote defensivo e puxando o contra-ataque.
Ao lado dele, Zaccharie Risacher oferece o tamanho perfeito para a posição 3, espaçando a quadra com inteligência e aproveitando os espaços gerados pelas infiltrações. E se o ataque promete voar, a defesa não fica para trás.
Defensivamente, May exige versatilidade para trocar marcações (switches) no perímetro. É aí que a trinca formada por P.J. Washington, Caleb Martin e Naji Marshall se torna inestimável. Eles são os cães de guarda que vão sufocar os adversários, permitindo que a linha de frente do Mavericks seja um pesadelo atlético para os ataques rivais. A presença de Santi Aldama também oferece a variação de um ala-pivô com excelente arremesso, limpando ainda mais o garrafão.
Os Motores do Pick & Roll: Lively e Gafford no Paraíso
No coração do esquema tático de May está o trabalho do pivô. Eles não ficam parados pedindo a bola de costas para a cesta; eles são motores de bloqueios dinâmicos e infiltrações ferozes. Dereck Lively II e Daniel Gafford representam a versão de elite daquilo que o sistema pede: pivôs com extrema mobilidade, que correm a quadra com facilidade e são ameaças constantes de ponte-aérea (lob threats). O Pick & Roll de Kyrie, ou até mesmo de Flagg, com Lively rolando para a cesta promete produzir highlights diários.
Na defesa, o encaixe também é natural. Dusty May é um adepto da Drop Coverage (defesa recuada do pivô). Em vez de saírem para caçar os armadores no perímetro, Lively, Gafford e Moussa Cisse ficarão plantados mais próximos ao garrafão, protegendo o aro e garantindo a posse no rebote para iniciar a correria, enquanto os alas do Mavs passam por cima dos corta-luzes.
O Veredito
O Dallas Mavericks montou um elenco que parece ter sido desenhado em laboratório para o que Dusty May gosta de fazer. Com criadores de jogadas dinâmicos, alas defensivos que arremessam de três, jovens estrelas versáteis e pivôs verticais, a equipe tem todas as ferramentas para jogar um basquete vistoso, eficiente e, acima de tudo, competitivo.
A "Era Dusty May" tem tudo para ser um espetáculo de alto volume ofensivo no American Airlines Center. O show está apenas começando.
Comunidade Mavs BR
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